100 Cidades Africanas Destruídas Pelos Europeus - Parte 4 - Final

- by Dhin Akari

Porque existem poucos edifícios históricos e monumentos na África subsaariana?

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Até hoje, a maioria dos europeus ainda considera que os africanos são selvagens, inferiores, grotescos, e pouco inteligentes. E quanto mais um africano mostra as características que encaixam no estigma, maior a possibilidade de gostarem dele ou dela.
Africanos estúpidos são os melhores companheiros dos europeus. Um africano esperto e assertivo é algo que a maioria dos europeus não está habituado e faz qualquer coisa para rejeitar ou excluir.
Por exemplo, em Paris, o povo Soninke do Mali joga com esse estigma. Dirigem-se à administração pública francesa e fazem-se de idiotas, falando mal o francês e mostrando sinais de pouca inteligência e idiotice. De repente, o funcionário público logo acorda em si um sentimento de missão humanitária, dispondo-se a ajudar aquele africano não civilizado a tratar de seus documentos e a entender até as coisas mais simples.
Dessa forma, os Soninke conseguem frequentemente o que querem dos funcionários públicos. Eles representam mais de 50% dos africanos subsaarianos que vivem na França. Um africano que vá a um departamento de administração pública francês, com uma postura inteligente e afluente passará um mau bocado, porque a reação instintiva dos funcionários será “Quer mostrar a sua inteligência, você vai ver!”.
Por essa razão você vê muitos africanos na Europa se rebaixarem voluntariamente para ser aceites. Com os brancos, agem docilmente e são submissos, aceitando e obedecendo às ordens, mas estranhamente zangam-se e tornam-se agressivos e pedantes com os irmãos negros.
Infelizmente, nada resta de nossos ancestrais. Quando os europeus invadiram a África usaram os quatro princípios básicos de uma força invasora:
  1. Primeiro, Matar os fortes e pilhar o lugar;
  2. Segundo, Criar os fracos;
  3. Terceiro, Matar, Deportar ou Exilar os mais inteligentes e hábeis;
  4. Quarto, Impor a regra colonial de ouro “Do meu jeito ou nada”.
Os reis e seus descendentes foram todos mortos. Além disso, três séculos de escravidão transatlântica exportou 12 milhões de homens e mulheres da África para a América, além dos milhões mortos nesse processo.
Imagine o que aconteceria a qualquer país ou civilização onde quase todos os escritores, contadores de histórias, engenheiros, artesãos, artistas e líderes fossem mortos ou exilados? E se, qualquer sinal de glória e engenho passados fossem destruídos ou queimados? Seus livros e conhecimentos roubados ou destruídos?
Quem transmitiria esse conhecimento acumulado secular aos cidadãos comuns?
É essa quebra de conhecimento e liderança dos últimos três séculos que levou o continente africano inteiro à idade das trevas, e deixou o povo sem orientação.
Os nossos corajosos guerreiros e os nossos construtores de civilização desapareceram. Nossos comerciantes globais, nossos construtores de pirâmides, reinos e impérios foram extintos.
Assim, nenhuma destas gerações foi criada para fazer impérios e guerras, defender território e proteger mulheres e crianças.
Não existem mais versões modernas de corajosos guerreiros africanos e construtores de civilizações.
Quando algumas pessoas perguntam porque eles são tão pobres, a resposta é, eles não são pobres, eles foram empobrecidos.
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“Sangrámos África durante quatro séculos e meio. Roubamos suas matérias primas, depois disseram-nos que eles [os africanos] não são bons para nada. Sua cultura foi destruída em nome da religião e agora, como temos de fazer as coisas com mais elegância, roubamos suas mentes com bolsas acadêmicas. Depois vemos que a África infeliz não tem uma boa condição, não gera elites. Ainda lhes damos lições depois de nos termos enriquecido nas suas costas.” Jacques Chirac, antigo presidente francês.
Hoje, se quiser ver a glória da África, vá à Europa, onde milhares e milhares de objetos roubados, artefatos de civilizações, estão em museus públicos e coleções privadas (Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica, etc.). Se quiser ver a riqueza da África vá à Europa também onde ela está guardada em contas públicas e privadas. Cinco séculos de pilhagem e destruição deixaram um continente arrasado.
Partes da África na Europa e EUA
Como comenta PD Lawton “Do Egito ao Sudão, do Mali à Tanzânia, do Zimbábue a Moçambique, a África está cheia de testemunhos de seu passado. Em muitos casos a destruição completa das estruturas não aconteceu naturalmente, mas foi deliberada, principalmente pelo império britânico. Os museus ingleses e europeus estão cheios de objetos de pilhagem. Existem várias estruturas antigas que estão bem preservadas mas no caso de muitas cidades, palácios, templos e portos só restam registros escritos e desenhos de comerciantes e viajantes desde os tempos medievais aos últimos dias de destruição no final do século 19. Em termos de beleza, e até por vezes na arquitetura à escala das pirâmides do Egito, fraca em comparação a outras estruturas históricas da África. A diversidade arquitetônica do continente é impressionante. O uso tradicional daquilo que é chamado de escalada fragmentada em construção, demonstra uma tradição religiosa praticada em todo o continente. Escalada fragmentada é a ideia arquitetônica de Mandelbrot, onde as menores partes de uma dada estrutura se assemelham às maiores. Esta tradição cultural/religiosa foi/é praticada em todos os aspectos do cotidiano, desde a tecelagem, aos trituradores de cereais, à construção de casas e palácios, além de ser uma incorporação da própria história no dia a dia, que tenta explicar o universo e o nosso lugar nele.”[i]
Precisamos de investir tempo e recursos para reerguer nós mesmos as ruínas das nossas velhas cidades, para fortalecer a fé em uma nova geração, e na nossa capacidade de recuperação.
Já é tempo de reavivarmos na mente de uma nova geração de africanos, a verdadeira natureza dos seus ancestrais, a glória passada de seus impérios, o orgulho em seus guerreiros, conquistadores e construtores de civilizações, e fazê-la entender que cinco “Séculos de Vergonha” sob ocupação europeia termina com uma nova geração de líderes e de construtores!
Cinco séculos atrás, quando os europeus chegaram na África encontraram um povo avançado, rico, e ficaram impressionados pela abundância de natureza e a civilidade dos povos. Os europeus sentiram inveja e amargura e souberam conquistar o povo dócil, acolhedor, sem armas nem exércitos mecanizados como os seus.
Os africanos eram como o que Cristovão Colombo disse dos Ameríndios “Eles são simples e generosos com o que têm, a tal ponto que nem se acredita se não se conhecer. Tudo o que têm, se pedirmos, eles nunca dizem não, mas antes convidam a pessoa a aceitar, e mostram tanto afeto que é como darem seus corações.”
Assim, mais tarde, Colombo escreveu o que faria com aqueles índios generosos “entraremos poderosos nas suas terras, e faremos guerra de todo o jeito que podemos, e iremos submetê-los à obediência da Igreja e dos Senhores; os tomaremos e a suas esposas, suas crianças e faremos deles escravos, vendendo e dispondo deles como os senhores desejarem; e tomaremos seus bens, usando como bem entendermos, como se faz a vassalos desobedientes que se recusam a aceitar seu senhor, e resistem e o contradizem; e clamamos que as mortes e perdas que resultem disso são sua culpa, e não dos senhores, ou nossas, ou dos cavaleiros que nos acompanham…”
O destino da África a partir daí foi selado pelo maquiavélico diabo de olhos azuis. Pilharam, destruíram e queimaram tudo o que tinha valor e não podiam levar com eles.
Como vimos, “no ápice da Civilização Afrikana, havia mestria no desenvolvimento de uma alta cultura onde artes, ciências e dignidade humana tinham florescido por milhares de anos. Mas não foi desenvolvida uma solução para o problema de raiva violenta dos invasores europeus. Em nenhum lugar da África ou da América indígena. Nós e nossos descendentes teremos de resolver esse problema ou continuar sofrendo eternas reciclagens de escravidão, massacre, segundo-classismo.[ii]
Conta certa história, que quando os europeus começaram a matar escritores, artesãos, filósofos, nobres e reis africanos, um grupo de jovens aprendizes e cortesãos decidiram encontrar um lugar para esconder os livros e os manuscritos.
Em muitas partes do continente onde os europeus já tinham matado muitos escritores e filósofos, os poucos que restaram tiveram de fugir. Enquanto os europeus queimavam livros, um sábio passou alguns dos manuscritos sagrados a dois irmãos para que escondessem dos invasores.
Antes dos dois irmãos serem presos e mortos pelos selvagens, conseguiram esconder os manuscritos, dividindo-os em doze partes e dando cada, a uma dúzia de mensageiros para que levassem aos sábios de outros reinos espalhados pelo continente.
A história conta que quem achar esses manuscritos desvendará o segredo chave para o renascimento africano. Eles contêm uma mensagem codificada, embutida nas linhas, que vai abrir e iluminar o povo do continente, unindo-o a um poder ancestral exclusivamente africano.
Dizem que estes manuscritos contém o segredo que dará poder a África novamente para dominar o mundo. Virão dignitários da Europa, Ásia, América para honrar os reis africanos. O povo negro, o povo original da raça negra será o primeiro entre nações. As pessoas viajarão pelo mundo atrás da sua proteção e conhecimento.
Até agora ninguém foi bem sucedido na busca de tais manuscritos, mas é tempo de procurar esses documentos e eu me comprometo a tal durante a minha vida. Passei os últimos quinze anos nessa pesquisa, perguntando em todos os lugares.
É certo que eles existem e a minha missão é encontrá-los. Quero descobrir o nome dos irmãos, seguir o seu caminho de fuga, viajar pelas estradas dos doze mensageiros que carregaram os doze capítulos, descobrir o esconderijo dos manuscritos e descodificar a mensagem, expondo-a a quantas crianças africanas for necessário para recuperar a nossa glória ancestral e construir o nosso caminho até à grandeza.
Quanto tempo esta busca levará não sei, mas a minha determinação é completa e inabalável.
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Notas:
[i] “Africa Before The 20Th Century” in “Invisible Empire”.

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